Briosa de outros tempos...
Falo de António Curado, nascido em Coimbra, que se iniciou na nossa Académica em 1936 e por lá terminou a carreira em 1956.

O episódio de que me recordei ter lido no livro, engraçado e genuíno, sucede num Porto-Académica no longínquo ano de 1953 e envolve uma outra velha glória, no caso do "Fêquêpê", de seu nome Pedroto, mais tarde treinador dos próprios Estudantes e dos azuis e brancos.
Segundo consta, o célebre Pedroto, tinha um grande defeito: "Como não lhe bastasse já a sua nítida superioridade técnica para iludir o adversário, em jogadas magistrais, gostava, quase sempre, de gozá-lo no próprio momento em que o ultrapassava, com piropos nada lisongeiros...Era o calcanhar de Aquiles, um intolerável vício desse idolatrado às do futebol".
Neste jogo em particular, o nosso caro Pedroto estava a brindar os jogadores da Briosa com "zombeteiros 'OLÉS', sempre que os 'driblava', acompanhando-os com um "sorrisinho gozão."
Ora, o nosso Curado não foi de modas... Como mais velho e experiente, já depois de ter recebido queixas de vários companheiros que vestiam de negro, provocou um encontro directo "com o célebre Pedroto, que conduzia um ataque às nossas balizas defendidas pelo gigante Capela."
Recorda assim, com algum humor, o nosso antigo central: "Claro que o grande 'mestre me fintou, num 'dribling' perfeito, seguido também, do seu irritante e sarcástico 'OLÉ', como se, salerosamente estivesse toureando em plena arena. Não devia fazê-lo (até às paredes confesso) mas não gostei. Não resisti e fiz.
De imediato, mandei-lhe uma "pranchada como mandam as "más regras", ficando o Pedroto, contundido, estatelado no relvado a ouvir-me dizer em tom alto e jucoso: - FOSTE COLHIDO!" .
Ah grande António Curado! Vencido ? Talvez... Agora gozado? Isso é que não!
Precisavamos de 11 jogadores com esta determinação para Domingo... Sem maldade mas com o mesmo espírito e determinação!
Força Briosa, rumo à tranquilidade!